Eu tinha uma amiga – e digo tinha porque ela faleceu- que era lésbica e dizia que assim o era porque o sexo com homens era simplesmente tedioso. Durante nossas conversas ela descrevia relações em que esteve a ponto de bocejar ou começar a fazer as unhas. Exageros a parte, obviamente ela estava sendo irônica, ainda sim afirmava que embora fosse possível manter um diálogo e tentar dizer ao homem o que gostava ou não, ele tem certa tendência a pensar com a cabeça de baixo e por isso não controla seu impulso a só pensar em si mesmo. Então ela desistiu oficialmente dos homens.
Mais tarde conheci duas irmãs que não gostavam de sexo e elas diziam isso com naturalidade, assim como quem diz “Eu não como jiló”, ocorre que da mesma forma que as pessoas reagem quando confesso ter pavor a gelatina, eu reagi quando as ouvi dizendo que o sexo não passava de obrigação. Daí muitos podem dizer que elas não encontraram um cara com pegada, que fizesse o serviço completo e bem feito, diga-se de passagem. É, pode ser. Mas elas defendem o direito de não gostar de sexo, assim como eu não gosto de gelatina e milhares de pessoas não gostam de jiló.
Para minha surpresa, elas não estão sozinhas.



