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Rehab

Abriu os olhos. 6h00. Piscou. Olhou de novo. 6h00. Tinha mais uma hora. Embora o estômago avisasse que a qualquer momento um trilhão de borboletas rasgariam sua barriga se pudessem. Um trilhão de borboletas pensou. Borboletas. BorboletAS. Borboletas juntas. Repetiu. Um trilhão. Que nome se dá a um conjunto de borboletas? O pensamento a deixou agitada, rolou na cama. Pensou em se levantar e pegar o dicionário, mas de repente “eureka”, decidiu ligar o computar e pesquisar no Google. Simples. Poderia ser dona dos seus pensamentos de novo. Ligar o computador? Não, não não, Sacudiu a cabeça, puxou a coberta e se encolheu na cama. Ligar o computador significava checar os e-mails. Checar os e-mails como uma criança esfomeada que esperava ansiosa que o sinal soasse para que pudesse correr em direção a cantina e se entregar aquele pão com geléia que era servido na escola. Migalhas, pensou. Migalhas e nem isso ela tinha mais. A caixa de entrada gargalhava da facilidade com que as pessoas desistiam dela. Era só virar as costas e puff. Mas você disse que me amava? Disse ué, mas mudei de idéia. Um brinde a Raul Seixas. Um brinde. Brinde. Bebida. Queria afogar sua mágoa, junto com sua cara e todo seu cansaço em vários copos de bebida. Mas ainda era cedo. Tão cedo e ele já lhe ocupará os pensamentos. Levantou. Tomou café da manhã. As borboletas ainda estavam lá. Google. Dois segundos. Dois segundos e mato esta dúvida. Dois segundos e me convenço de que no fim nem era tão importante assim. A caixa vazia. Não. Não. Logo saio de casa. Ônibus. Trânsito. Gente. Trabalho. Almoço. Trabalho. Café no bar da esquina. Trabalho. Ônibus. Trânsito. Casa. Casa? Casa não. Computador não. Precisava ocupar os pensamentos e as mãos. Pensou que os olhos não suportariam a caixa vazia. Certamente as borboletas lhe rasgariam o estômago e voariam livres para habitar o corpo de outra menina apaixonada que precisava daquela sensação mais do que ela. Porque afinal, ela já era passado. Não, não poderia suportar a ausência das borboletas. Casa não. Computador não. Happy hour parecia boa idéia. Chegar em casa bêbada, deitar, dormir. Fim do dia. Lá se foram 24 horas. Sem computador. Sem e-mail. Sem caixa vazia. Abriu a porta, olhou para rua. Você consegue, pensou. Primeiro uma hora. Depois outra. Mas 60 minutos e lá vem outra. Daqui a pouco fim do dia. Fim da semana. Fim do mês. Meses. Respirou fundo. Você consegue. Não abra o e-mail. Não procure. Não implore. Não mendigue. Só mais um dia. Só mais um dia.

5 expectativas que estão te mantendo encalhada…

…E a mim também, se você quiser saber!

Dia desses lendo uma matéria não sei onde (eu juro) sobre como encontrar sua alma gêmea, fiquei um pouco “encafifada” com o fato do colunista ou sei lá quem, insistir no “você tem que saber o que esta procurando” e bem, acreditando ou não no termo alma gêmea, me peguei imaginando pessoas saindo a caça do seu par ideal com uma lista na mão, como quem vai ao supermercado.  Sempre achei que quando encontramos AQUELA pessoa, a gente gosta e ponto. Mas parei para pensar: Nesse tempo todo que eu e você (é você) estivemos sozinhas, será que realmente não apareceu ninguém especial?

Claro que sim. Mas por algum motivo achamos que ele era um cara legal, mas não era dessa vez. Ou surtamos e enfiamos os pés pelas mãos. E aposto que isso até aconteceu muitas vezes.  Pode nem ser auto-sabotagem, pode ser apenas expectativas demais. Expectativas baseadas no que a maioria acha que é certo, mas cuja realidade pode ser bem diferente.

Será que já não é hora de você deixar de acreditar que:

- Um casal deve ter gostos em comum/hobbies em comum/opiniões iguais.

Você conhece um cara e descobre que você gosta de sertanejo e ele de punk rock. Que você adora baladas e ele prefere cinema. Que você adora curtir a preguiça nos fins de semana e ele adora uma academia. Ele é teimoso e é sempre você que deve dar o primeiro passo. Ou o contrário. E ao invés de tentar conhecer um pouco do universo dele e mostrar a ele o seu, encontrando um meio termo para fazer a relação dar certo, você desiste porque são diferentes demais.

- Só é sério quando eu conhecer os pais dele.

Muita mulher surta no começo do relacionamento quando o cara demora para apresentá-la aos pais. Algumas acham que conhecer a família afirma o amor e a durabilidade da relação. Então começam a encher a cabeça de minhoca, pressionar o cara e o namoro vai pras cucunhas.

- Só é sério quando ele disser que me ama.

Outras tantas quando não surtam por não conhecer logo a família, surtam para ouvir logo o “Eu te amo” e de novo, quando esse não vem, o que não falta é desconfiança, insegurança, cobranças e ai, não há relacionamento que resista. E dizer eu te amo só para fazer tu calar a boca, não é nenhuma vantagem, não é mesmo? Um relacionamento é bem mais que isso e existem inúmeras formas de materializar o amor. Ele vai dizer, quando achar que deve. O que não significa que ele não sinta.

- Fim de semana é para estarmos sempre juntos.

Tinha uma amiga que não aceitava que o namorado não estivesse ao seu lado das 18h da sexta até as 23h do domingo. Para ela final de semana foi feito para namorar e ficar cada minuto grudadinho. Ela achava que se o cara dizia que ia jogar futebol, fazer favores para a mãe, ou whatever, era sinônimo de que ele não a amava e logo ela terminava.  Namorados é uma coisa, gêmeos siameses outra.

- Ele nunca pode dizer não.

Você liga e pede para ele te ver naquele dia e ele responde que não vai dar porque está ocupado, cansado ou qualquer outra coisa. Milhares de catástrofes passam pela sua cabeça e você começa uma cena.  Não é só porque vocês namoram que a outra pessoa estará sempre a sua disposição ou concordará com tudo o que você disser.

Eu já cometi alguns erros desses e já vi muitas amigas cometendo também.  Não que você tenha que aceitar qualquer coisa e se enfiar em uma relação desastrosa só para não ficar sozinha, mas algumas expectativas realmente não condizem com a realidade e se livrar delas não pode fazer mal.

Inseguranças femininas

Começar um relacionamento é como tatear no escuro, você nunca sabe o que vem a seguir. Enquanto as mãos tentam encontrar um lugar seguro ou familiar e os olhos tentam enxergar o que se passa no caminho, o coração torce para que ao invés de tropeçar e dar com a testa no chão, você consiga encontrar o interruptor ou a saída.

É natural temermos o que não conhecemos e obviamente não podemos desvendar, por isso é tão difícil fazer dar certo, principalmente se a pessoa que está andando no escuro for do sexo feminino, já que no meio do caminho ela será tomada por tamanha ansiedade que é praticamente impossível encontrar a saída sem nenhum arranhão. Enquanto o homem geralmente dá um passo de cada vez, ela mantém a cabeça cheia de indagações.

Ele não vai ligar no dia seguinte.

Já que a tal ligação do dia seguinte foi desmistificada, não há razões para espera-lá quando o mais certo é que ela não ocorra. Geralmente o encontro nem acabou ainda, mas ele corre tão bem que a mulher torce para que ele ligue no dia seguinte e o medo de passar dias e dias ao lado do telefone esperando uma ligação que não virá, é ensurdecedor.

Ele está apenas interessado em sexo.

As mulheres vivem um terrível conflito no começo de uma relação que ainda não foi totalmente definida, “dou não dou? E se eu der, será que ele volta?”. Quando o assunto é sexo e o desejo é oficializar a relação, às mulheres colocam o sexo num pedestal e o responsabilizam pelo que pode dar certo ou errado.

Ele já ter alguém.

É difícil entrar na vida de alguém de supetão. Sempre nos perguntamos se já não existe alguém que pode voltar a qualquer momento e acabar com a graça. Ou que naquele momento em que não foi firmado ainda um contrato de exclusividade, ele conheça alguém por quem se interesse mais.

Ele não estar tão interessado.

Para o homem, sexo é sexo, amor é amor. Muitas vezes ele pode manter um caso de meses, até anos, sem estar apaixonado e então um belo dia, conhece alguém e não voltar mais.

Não arrasar na cama.

Toda mulher tem medo de não satisfazer o outro sexualmente. Muitas vezes abre mão do seu próprio prazer, para se transformar na melhor transa que ele já teve.

Perder o interesse.

Acredite, pode parecer estranho, mas a mulher morre de medo de perder o interesse no meio do caminho.

Acho que por estes e outros motivos, os homens deveriam entender que é perfeitamente normal uma mulher surtar no meio do caminho, é tanto desejo de fazer dar certo, que acabamos fazendo tudo errado.

P.s: A inspiração veio daqui.