Assim que a Raquel Pacheco lançou o livro contando a história de seu alterego e seus dias de garota de programa, eu entrei em uma de “tenho que ter” e tanto falei sobre ele que acabei ganhando de presente de aniversário e embora para muitos possa parecer um enredo sem qualquer atrativo, para mim valeu cada página.
Ao ler uma história sobre uma mulher que se tornou garota de programa, esperamos justificativas ou no mínimo uma infância sofrida e comovente que tenha arrastado a garota aquele vida degradante que era vender o corpo para sobreviver. Claro que, toda mulher detém os direitos de sua vagina e faz dela o que bem entende, mas na prática não funciona exatamente assim, já que proprietárias de vaginas descoladas acabam recebendo fama de puta, só que diferente de uma puta de verdade, elas tem o livro arbítrio, que lhes dá o poder de decidir com quem irá para cama, coisa que uma puta de verdade dificilmente tem. Logo ao adquirir um livro escrito por uma, você espera descrições dos momentos tenebrosos em que ela tinha que se sujeitar a fazer sexo com homens sujos ou velhos babões, mas não encontra nada disso.
A história de Bruna Surfistinha me ganhou e merece todo crédito- para mim- justamente pela verdade e ousadia como os fatos são expostos. Ela é uma puta, sente que sempre foi e não nega. Gostava de sexo, do poder que o sexo lhe confere e já que fazia muito, porque não cobrar?
A honestidade com a qual ela expõe sua história é o que torna o livro merecedor do boom que causou na época, afinal em um país cheio de falso moralismo e até as putas precisam de motivos para ser puta, ela teve a coragem de dizer que era uma puta, porque seu corpo lhe pertencia e era isso que ela faria com ele.
Por isso apesar das piadas rolando na internet mundo afora, tenho certeza que vai valer à pena assistir o filme. Eu verei.



