Eu nunca fui como a maioria das mulheres que me cercam. Ainda que completamente de quatro, nunca fui capaz de parar para ver a banda passar, só porque meu coração se contorcia de alegria por estar nos braços de um certo moço.
Minha vida sempre foi pautada pelas minhas escolhas profissionais. Pela pessoa que eu quero ser quando tiver 30 anos. E olha que tenho 27, logo, a única coisa que pode me tirar o sossego e despertar o desejo de arrancar os cabelos, é saber que tenho somente 3 para chegar próxima a imagem de mim que planejei durante toda a vida.
Algumas pessoas dizem que é ilusão, que no fim das contas a gente quer um cobertor de orelha para repousar o cansaço da vida. Mulher então? É quase tentador o desejo de largar tudo só para pertencer a alguém. Eu entendo o impulso. É fácil, tranquilo e parece o certo, afinal, mulher foi projetada para isso.
Já me senti culpada. Já me senti perdida. Já me senti menos. Hoje abraço minhas escolhas de peito aberto e cabeça erguida e não dou mais respostas educadas para não ofender amigos e pessoas próximas que me olham com certa piedade por estar sozinha e não me preocupar com isso. Por ter vivido durante seis meses um relacionamento de faz conta que acabou exatamente do modo como as pessoas haviam previsto, porque afinal, não há motivos para lamentar. Ao contrário de muitas que conheço que param a vida quando encontram um peito para encaixar a cabeça, eu não parei a minha.
Então embora “nós” não exista mais (se é que existiu), eu tenho muitos motivos para comemorar e deitar todos os dias com frio na barriga equivalente a dúzias de primeiros amores na escola.
Chorar? Desculpa, mas hoje não. Talvez amanhã. E não se enganem, chorarei de bom grado. Afinal, assim é a vida e como li estes dias por ai, autopiedade é para idiotas!
Né não?






