Embora eu não tenha tido muitos parceiros, sempre me considerei uma pessoa aberta, sexualmente falando, sempre achei que quando apaixonada, vale tudo entre quatro paredes, e que na hora do sexo, não adianta ter nojinho ou cara de poucos amigos, tem que se lambuzar.
Pelo menos sempre acreditei nisso, mas como eu disse, não sou a mais indicada para falar sobre o assunto, mesmo assim achei que nenhum pedido jamais pudesse me surpreender, geralmente por que os apelos masculinos resumem-se a uma coisa só: sexo anal. Quão estranho um pedido pode ser, não é mesmo?
Tive uma amiga que era garota de programa e vez ou outra ela me contava sobre performances loucas que tinha que fazer. Ela teve um cliente que pedia para que ela enchesse uma bexiga e enquanto fazia isso ele se masturbava, mas é como eu sempre digo, cada louco com sua mania e eu não sou garota de programa, logo, o mínimo que eu posso esperar é um homem com pedidos convencionais. Xingamentos, tapas e essas coisas.
Então eu conheci esse cara, tão interessante ele era que acabei me desfazendo de todos os meus protocolos e pulei etapas. Por que não? Ele era o tipo de pessoa que eu queria devorar antes mesmo da sobremesa.
Mas como Murphy é meu companheiro das antigas, a minha primeira experiência de sexo sem compromisso tinha que me deixar sem graça, chocada e sem reação primeiro e me fazer mijar de rir nas calças depois.
Ao término do serviço, se é que me entendem, ele realizou um feito que marcou muitos pontos na minha caderneta imaginária. Ele deitou do meu lado e começou a conversar. Conversamos sobre tudo, e quando achava que tinha meu sonho sendo realizado, eis que ele solta a seguinte frase:
- Passa a mão na minha bunda!
Como boa dama que sou, me mantive na linha e meio acanhada, fui passar a mão na bunda do moço, mas ele queria mais amigos, ele queria mais muito mais. Então, ele pegou meu dedo indicador, e já prevendo onde ele seria levado, comecei a rir, apesar de tudo o que as revistas ensinam, ditam e sei lá mais o que, não consegui manter a pose. Primeiro fiz uma cara de assustada, depois me afastei, e por último tive uma crise de riso no banheiro.
Claro que para fazer um pedido desse ele tem que ser muito macho, mas ele se esqueceu de preparar o terreno. Para a maioria dos homens a bunda deles é um local completamente fora de acesso e, portanto, os carinhos nela estão fora de cogitação. Embora seja terrivelmente prazeroso, muitos ainda acreditam que admitir o tesão na região anal é atestado de viadagem. Grande besteira, claro. Mas como eu haveria de saber que o único homem que não tem medo da coisa iria acabar justamente comigo? Golpe baixo.
Obviamente ainda estou esperando a tal da ligação do dia seguinte, mas tenho cá pra mim que ele não vai ligar não.
Alguém pode me culpar?
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