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A lanterna das desesperadas

Gente, o texto abaixo eu escrevi para o Diário De Solteiro, por isso ele começa assim, meio diferente… vocês vão ver…

E como é que dizem mesmo? “Um bom filho a casa torna”. E cá estou eu, depois de um tempo sem dar as caras aqui no Diário De Solteiro. Não estava namorando, nem algo parecido, mas confesso que estive terrivelmente apaixonada, e se me permitem o vocabulário pobre, eu estava de quatro, e devido ao meu estado “in love” ficou difícil de vir aqui contar pra vocês minhas peripécias do mundo das solteiras, apesar de viver aos montes.

Vê, meu próprio estado de paixonite daria por si só uma boa história, afinal, comigo é sempre a mesma coisa, eu vejo uma luz lá no fim do túnel que pisca para as encalhadas que buscam desesperadamente sair da condição de titia, e sempre respondo a luz me jogando drasticamente e sem freio algum em sua direção. Nem preciso dizer que nunca acaba bem, porque apesar de ser apenas uma faísca, a tal luz me cega e me jogo ao abismo sem me dar conta, me enfiando nas situações mais ridículas.

Ano passo, por exemplo, conheci um cara meio estranho, mas sei lá né? Ele tinha trinta anos, era advogado, bem sucedido, tinha bom papo e parecia um bom partido. Quando ficamos a primeira vez em uma balada, foi tudo bem legal, afinal, estávamos ambos alcoolizados, mas quando marcamos de nos encontrarmos novamente, foi um desastre. Ele era totalmente narcisista, falava apenas dele, da sua profissão, de como emagreceu dez quilos só porque deixou de comer coxinha, de como levava suas namoradas e seus amigos pra comer em locais caros por que para ele “dinheiro não era o problema”. De como ele gostava de ser massageado depois do sexo, com a bundinha pra cima e tudo mais. De como sua ex fazia uma massagem perfeita, bem ali perto da região do toba períneo. Eu só pensava em sair correndo daquele lugar.

Mas, por algum motivo sórdido, mesmo odiando o encontro, me peguei ansiosa durante toda a semana esperando a ligação do narcisista. E nada. NADA, nem um SMS maroto dizendo “Vem massagear a minha bundinha”. Depois de dez dias estava tão desesperada que eu mesma mandei uma mensagem pra ele dizendo que estava com saudades e que deveríamos nos ver de novo. Oi? Sai com ele de novo só para comprovar que eu não gosto mesmo de coxinha…

A questão é: por que eu me submeti a outra hora de pura tortura? Só pode ser carência ou desespero para finalmente dar uma resposta para minha tia que me enche o saco no almoço de domingo.

- Sim tia, eu estou namorando e ele é muito legal!

Mesmo sabendo que ele é um mala que só fala de bunda (a própria, o que é pior) e coxinha.

E vocês, já se enfiaram em fiascos achando que dariam adeus definitivamente a vida de solteiro?

Meninas más.

Carência. Sf. Falta, necessidade, privação.

Período de carência, período legal ou convencional suspensivo de um direito ou obrigação.

Eu acho que poderíamos substituir toda essa baboseira para algo bem simples, carência é o ato de fazer merda.

Pode jogar nas minhas fuças que fazemos merda por que “estamos carentes”, ainda sim, sei que longos períodos sem um macho de solidão, é motivo para enfiar o pé na jaca.

Sabe aquele cara que te encheu as bolas por dias e dias e você nem olhava para o lado por que achava total perda de tempo? Pois é, ele ainda é uma perda de tempo, nem em um milhão de anos ele seria candidato ideal a qualquer coisa, quanto mais a namorado, ainda sim, de repente você é invadida por um sentimento de arrependimento que quase queima a alma, você começa lamentar o fato de ser tão centrada a ponto de não perder tempo com idiotas, por que se você tivesse dedicado um minuto sequer a ouvi-los, teria na agenda contatos pelo menos para uma foda. Mas você não tem, você não tem por que é a menina legal, que banca a engraçada a noite toda e vai embora sozinha.

Então é impossível não me perguntar, mas que merda eu ganho sendo a menina legal? Nada, porra, absolutamente nada.

Quem está de fora costuma passar de vez em quando alguns sermões cheios de comiserações. O ouvido sangra ao ouvir que é melhor manter-se fiel a seus princípios e hora ou outra o amor virá, é questão de tempo. Mas que diabos, se for assim eu teria que acreditar que todas as pessoas que encontram o amor não levam consigo nenhum princípio, ou estão sendo enganadas, ou estão perdendo tempo com a pessoa errada, afinal, se todas as meninas legais estão vagando por ai de coração partido esperando um cupido curandeiro, todas as meninas más estão amando e fodendo loucamente?

Acho que entendi tudo.

Fecha a conta e passa a régua.  Tô me livrando desta carcaça!

Como perder um homem em segundos…

Dai que com tantas facilidades, é cada vez menor o número de homens dispostos a subir ao altar. Exageros a parte, se antes o casamento era algo planejado mais pelas mulheres que pelos homens, quem dirá hoje. São tantas possibilidades que ficar com uma pessoa só é que parece loucura.

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Será que você ama demais?

Existem mulheres que elegem o relacionamento amoroso como principal fonte de felicidade, ou seja, embora tenha uma vida profissional plena, ainda não estará feliz caso não esteja vivendo um grande amor.

Veja bem, claro que amar e ser amado é muito bom, mas nada em nossas vidas deve ser considerado como razão  100% de nossa felicidade, tem que saber dosar. Afinal, normalmente nem tudo é exatamente como queremos. Tenho amigas que estão entrando em desespero pois se vêem a beira dos trinta e continuam sozinhas, muitas delas nem consideram o fato de também não terem em seus currículos uma graduação.

“A nossa interrogação é uma só e muito mais perturbadora: que farei agora do meu amor?”, a frase de Mendes Campos, resume a principal vocação feminina – a de amar. Somos criadas a base de contos em que o príncipe costuma aparecer no fim e resolver todos os problemas, talvez daí a idealização do amor. Por isso, ainda hoje, é possível encontrar mulheres que desistem de amigos, carreiras e sonhos, para viver um grande amor.

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