Dias desses fui comprar um livro e acabei batendo o olho numa capa que levava o nome “Como ser feliz com a solidão”. Fiquei uma eternidade refletindo sobre aquele livro.
Toda mulher, vez ou outra, tenta descobrir a fórmula mágica para se sentir bem sozinha. E quando eu digo sozinha, quero dizer completamente sozinha. Podendo ficar em casa aos sábados a noite, sem necessariamente ter que sair por ai com as amigas em busca de não sabemos bem o que. No fundo, ninguém foi feito para ficar sozinho, mas acreditamos que estamos aqui apenas para nos unir a alguém e ser feliz para sempre, por isso vez ou outra batemos na mesma tecla e borramos as calças imaginando que morreremos sem encontrar o grande amor de nossas vidas, sem saber de fato se a tal alma gêmea existe.
Eu não acredito em felizes para sempre, alma gêmea ou metade da laranja. Aliás, acredito na frustração que tudo isso pode trazer, ainda sim, durante minhas crises de mulherzinha, fico me perguntando por onde andará meu príncipe. Mas será que um livro destes nos ajudaria a conviver melhor com a solidão? Eu não sei, só sei que é preciso. É preciso porque como disse Clarice Lispector: “Que minha solidão me sirva de companhia. Que eu tenha a coragem de me enfrentar, que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo”. Afinal, se você não se basta, como pode bastar ao outro? Eu não quero ninguém pela metade, você quer?



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