Em primeiro lugar: Eu não estou namorando não, viu gente? Embora eu quisesse muito acreditar que sim, eu não estou. Não que eu me importe, afinal, tenho 27 anos e desilusões amorosas o bastante para crer que rótulos só servem para impressionar aqueles que nele acreditam.
Já fui traída. Já fui trocada pela ex que o cara supostamente odiava. Já fui trocada por um baseado. Já fui trocada por um homem. Já fui trocada pelos amigos. Já fui trocada pelo carro. Já fui traída por amiga.
Já namorei um cara que gostava de mim, mas morria de vergonha de sair comigo porque, olha só, eu sou negra. Foi a pior fase da minha vida. Fiquei com depressão, não queria sair do sofá e não suportava me olhar no espelho nem por cinco minutos. E ele morava no mesmo bairro que eu. Fiquei saindo com um camarada por oito longos meses. Eis que um belo dia, numa sexta-feira mais precisamente, a bela adormecida resolve desencantar e dizer que gostava de mim e, quem diria, deveríamos ficar juntos. No mesmo fim de semana, no domingo, ele atualizou seu status do Orkut para namorando. Detalhe: NÃO ERA COMIGO! A gente morava na mesma cidade. Teve muito beijo. Teve muita pele. Teve muito toque. E daí?
Fiquei saindo com um cabra durante dois meses. Um dia resolvo que ele era o tal do cara especial com quem eu iria perder minha virgindade. Quando ele ia mandar pra dentro eu disse: “Devagar”. “Por quê?” “Porque eu sou virgem, oras!”. “Você é o que?”. O cara, que já tinha me levado a casa dos pais dele, me apresentado a todos os seus amigos e familiares, brochou tão rápido que eu nem pude acreditar e ainda complementou: “Você tá viajando. Desculpa linda. Eu gosto de você e tal, mas cabaço de mulher eu não tiro não. Depois tu gruda no meu pé? Sai fora. Amor de pica? Nem pagando!”. Proximidade? Este tava tão perto que eu podia sentir o pau mole dele na porta de entrada.
Mas também teve aquele que ficou me ligando durante dois meses dizendo que não queria somente sexo porque eu era linda, especial, boa de papo e completamente diferente de todas as meninas que ele já tinha conhecido. E quando finalmente eu disse sim, ele me buscou na porta de casa e me levou… direto pro motel.
Ah, e não vamos esquecer daquele namorado que morava há apenas alguns quarteirões da minha casa e antes de terminar comigo mandou na lata: “Se eu terminar com você, a gente ainda vai pode se encontrar de vez em quando pra trepar? Porque sério, essa foi a única coisa boa que sobrou. A gente trepa muito bem”.
Ai eu sou obrigada a aguentar os sabichões me olhando com cara de desdém e perguntando: “Você acredita mesmo que um cara lá do outro lado do mundo pode te amar de verdade?”
Elementar, meus caros Watsons! Até porque, a única coisa que podemos fazer para viver plenamente é acreditar.
Acreditar que pode dar certo. Acreditar que você é mulher/homem o suficiente para seguir em frente se não der.
C’est La Vie.
Nota: Este texto já foi publicado lá no Diário De Casal.







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