Monthly Archives: agosto 2011

Amor com hora marcada

Era uma sexta-feira. Uma sexta-feira exatamente como as outras. Tão normal era que não me recordo se fazia calor ou frio. Também não me recordo onde estava. Tudo que sei é que lá pelas oito e tanto meu celular anunciava uma nova mensagem. Abri. Mas não foi assim um abrir de quase parar o coração. Era um abrir diferente. Um diferente assim que combinava com ele e com toda a situação que estávamos vivendo há oito meses. Era um amar sem esperar nada em troca. Era um aproveitar o tempo enquanto estávamos juntos porque outro tempo daquele poderia demorar dias, talvez semanas, para acontecer. Era doloroso? Não exatamente. Condicionei meu coração e minha mente para estarem no lugar certo, na hora certa. Com ele, quando deveria estar. Sem ele, quando deveria estar, mas não estava e nada poderia fazer a respeito, a não ser me permitir não sofrer. E eu não sofri. Eu não esperei, nem desesperei. E acreditem, foi bom, enquanto foi.

Mas, nesta sexta-feira normal que poderia ser qualquer sexta-feira do ano, pois não me lembro se fazia calor ou frio, ele queria me ver. Nossos encontros eram sempre bons e assim eram porque não havia cobranças, tão pouco medo de perder. Éramos só nós, carinhos, beijos e muita conversa. Só que nesta sexta-feira ele decidiu que só isso não bastava. Ele decidiu que era necessário fazer promessas. E fez. Muitas. Ele me olhou nos olhos e me disse que já era hora de estarmos juntos. Que o tempo o preparou para isso. Que éramos ótimos juntos e deveríamos permanecer juntos, afinal, em time que esta ganhando não se mexe, certo?

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Seu passado deveria te condenar?

Sabe quando você esta conhecendo uma pessoa legal e quer devorá-la? É um desejo enorme de saber cada detalhe sobre a vida deste ser que esta diante de você e que até há pouco tempo não estava, mas que agora você ama perdidamente. Claro que uma vida é muito tempo, mas a gente se esforça para saber tudo que pode e, talvez até mesmo sem nos darmos conta, pulamos diretamente para o amor. Normal, não é? Pois bem.

Estava eu lá tentando devorar o cérebro e o coração do moço, quando resolvo lhe perguntar sobre seus relacionamentos passados. Ele respondeu tudo. Como um livro aberto. Tão aberto que aquela história ficou martelando na minha cabeça e eu desejei nunca ter perguntado. Então chegou a minha vez. Fiquei lá uns cinco minutos esperando ele perguntar: e você? E nada. Nadinha. Fiquei frustrada e boa ariana pisciana que sou, resolvi fazer um drama básico e perguntei se ele não se importava com meu passado amoroso.

- Não!

- Nem um pouco?

- Não! Eu só me importo com o presente (eu e você agora) e com o futuro (eu e você lá na frente). Não me importa com quantos caras namorou ou como foi. O que eu deveria fazer com esta informação exatamente?

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A grande mentira!

“I miss you” – Odeio terminar minhas conversas com você assim. É como contar uma pequena mentira. Uma mentira deslavada que escapa da boca sem remorsos e sem pudores. Uma mentira pequena que incomoda tanto quanto um grão de areia no biquíni. E que causa tanto desconforto quanto uma visita ao ginecologista, com o agravante de que esta ocorre uma vez ao ano, se tiver muita, mas muita sorte, mas o “missing you” é constante e tá lá, em todos os e-mails, em todas as mensagens. No meu celular, entalado na minha garganta, infectando minhas entranhas. É como te amar e guardar um enorme segredo. O que certamente não faz sentido. Mas é preciso. É preciso porque no dicionário de onde você vem, saudades não existe. Então eu minto. Minto dizendo “i miss you”, quando é saudade o que eu sinto. E faz diferença? Ô se faz.

Saudade, disse Clarice Lispector, é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

Pablo Nerruda foi mais dramático e disse que a saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam. Talvez Rubem Alves tenha sido menos melancólico ao dizer que a saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar. Mas acho que ele acertou em cheio. Afinal, minha alma sabe exatamente para onde quer voltar, apesar de nunca ter estado lá.

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Só porque acabou, não foi bom?

Perdoem-me o desabafo, mas eu não sei por que diabos as pessoas têm mania de querer apagar o passado e sair por ai dizendo que quem vive de velharia é museu. É óbvio que ninguém vai debruçar na janela pra ver a vida passar enquanto chora pelo leite derramado, mas ignorar tudo o que você viveu para chegar até aqui, além de tolice, é impossível! O que você é hoje é o resultado de todas as escolhas que fez no passado e até pra mudar e dar um rumo completamente diferente em nossa vida é preciso dar aquela checada no retrovisor.

Eu não quero esquecer aquele cara que me deixou plantada na frente da sua casa e pulou o muro para ir fumar maconha com os amigos. Foi com ele que aprendi a me amar, me olhar no espelho, me curtir e dizer “Tu tá muito gata. Eu te pegava hoje”. Pegava, peguei e continuo pegando, me curtindo, conhecendo cada pedaço de mim, de quem sou e do meu próprio corpo. Só assim posso esperar que outra pessoa me ame, me curta, me conheça. Com ele percebi que eu gosto de me sentir frágil, pequena, cuidada. E que homem tem que cuidar de mim. E enquanto deu certo, ele cuidou. Eu não quero esquecer aquele cara que no meio de uma festa foi dar uns pegas na ex-namorada sem o menor pudor. Com ele eu aprendi que auto-piedade não é atraente e ninguém vai te amar porque você esta implorando. Como ele eu vi várias madrugadas transformarem-se em dias lindos enquanto comíamos pastel na feira após a balada. Com ele eu conheci o Pearl Jam e mostarda. Com ele aprendi que apesar das declarações de amor, do sexo maravilhoso e das mensagens de madrugada, nada mais excitante do que ver seu namorando fazendo os amigos beberem Fanta, porque você odeia Coca.

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Da nomenclatura das coisas…

Essa semana eu acordei me sentindo meio assim, meio assado. Meio com uma sensação estranha que eu não tinha noção do que era. Eu só sabia que ela estava lá. É mais ou menos como aquela vontade de comer não sei o que, não sei aonde ou aquela tristeza que bate no domingo, quando a gente ouve a vinheta do Fantástico ou a voz do Faustão. É uma ânsia. Vontade louca de correr em direção a lugar algum, só pra descobrir que diabos de sensação é essa que não tem cara, nem razão de ser, mas incomoda.

Incomoda porque ela está lá quando abro os olhos de manhã e encaro a parede branca do teto por uns cinco minutos, enquanto tento entender esse embrulho no estômago. Incomoda quando eu vou ao banheiro fazer xixi e fico sentada por pelo menos 20 minutos fitando a parede pensando em nada até perceber que perdi a hora.

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Não é possível amar por dois…

Acho que já devo ter dito aqui milhares de vezes que eu sou completamente apaixonada por Sex and The City. O engraçado é que sempre volto a tocar no assunto, porque de certa forma, estou sempre na mesma história. Quando um relacionamento termina, ou quando você simplesmente se decepciona ou apenas precisa de tapas na cara para se lembrar de que você esta apaixonada e não desesperada, todo mundo tem um ritual, uma casa, um lugar para voltar. Eu sempre volto para Carrie Bradshaw. E sim, eu sei que ela é apenas um personagem, mas pra mim, ela representa todas as mulheres, porque, embora tentem me provar o contrário, toda mulher quando esta amando vira um clichê.

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Será que dá namoro?

Eu falei que não publicaria mais estas matérias de sites e revistas, mas, como dizem mesmo? Nunca diga nunca? Então, cá estou eu para dividir com vocês uma matéria que eu vi no site de relacionamento How about we?

Sabe quando você esta naquela etapa do relacionamento em que não sabe exatamente se a coisa caminha para o relacionamento? Daí você lembra do Caio Fernando de Abreu pedindo calma, dizendo que não há nada a desesperar, nem esperar, mas desejando que na prática as coisas fossem fáceis assim, afinal, só quem já desejou muito alguém sabe o quanto esperar é um saco, saco este que nos leva rapidinho ao desespero.

O How about we fez uma lista de coisas que indicam que o relacionamento pode estar caminhando rumo a algo mais sério. A lógica é a seguinte, se você já riscou a maioria dos itens da lista, pode comemorar.

- Você não passou a semana roendo as unhas, nem esperando o telefone toca, por que tinha a sensação de que iriam passar o fim de semana juntos e nem havia a necessidade de combinarem.

- Você encontrou os amigos dele (ou dela) e eles vieram a seu encontro de maneira tão natural, que até te deixou sem jeito.

- Passaram a noite juntos, acordaram juntos e não houve pressa para se despedirem.

- Algo bom (ou ruim) aconteceu e você pega o telefone e liga pra ele (ou pra ela) apenas para conversar.

- Se viram bêbados de verdade.

- Falaram do passado (como em ex) de forma natural.

- Se viram doentes.

- Passou a noite apenas para dormir.

- Brigaram, expondo o motivo do descontentamento sem ter medo de perder o outro.

Se assim como eu (hahahahaha) você também não marcou todos os itens da lista, volte a ler Caio, afinal, se existissem fórmulas mágicas, ninguém se desesperaria.

Xô, mau olhado!

Texto da semana lá no Depois Dos Quinze:

“Só pode ser inveja!” – Já parou para pensar em quantas vezes você repete esta frase por dia? Toda vez que algo dá errado, ou quando você encontra algum problema, ou quando você sente que tudo o que as pessoas fazem é criticar você, a inveja é sempre a primeira resposta que vem a sua cabeça.

Você costuma dizer que não entende o que há de errado, já que você não tem nem metade do que gostaria de ter. Já que não tem um cabelo de atriz de cinema, ou a maquiagem mais cara ou as roupas que acabaram de descer da passarela do São Paulo Fashion Week, tão pouco o namorado protagonista da novela das oito. Você repete para si mesma que é uma menina simples, que não entende por que todas as pessoas do mundo implicam com você ou porque tudo tende a falhar justo na sua vez e, na falta de argumentos, ou talvez na preguiça de analisar a situação, você simplesmente diz: “Só pode ser inveja!”.

Já se perguntou o que é a inveja? A inveja é o desejo de possuir algo que não é nosso. É olhar para a vida do outro e parar de viver a sua, desejando que o outro se dê tão mal quanto você acredita que se deu. Agora me diz, porque as pessoas iriam invejar uma pessoa que, de acordo com você mesma, não tem absolutamente nada de especial?

Não se engane: a única pessoa que parou de viver para observar a vida dos outros, foi você. Ao invés de reclamar dizendo que precisa tomar banho de sal grosso, comprar um vaso de pimenta para colocar atrás da porta e fazer todos os rituais para espantar mau olhado, separe alguns minutos do seu dia para pensar porque algumas dão errado, afinal, situações, lugares e pessoas sempre mudam, elas têm apenas uma coisa em comum: você.

Não tenha medo de descobrir que você errou. Só assim poderá mudar e caminhar em direção ao sucesso, sem a ajuda de pés de coelho, trevo de quatro folhas, pés de arruda ou banhos de sal grosso, porque quem para de olhar para fora e começa a olhar para dentro, não precisa de sorte para conseguir o que precisa, só de determinação! Não seja seu pior inimigo.

Um banho de água fria!

Quando é hora de desistir?

Tenho pensado muito nisso. Todo mundo tem um limite, isso é fato, mas será que sabemos a hora em que chegamos lá? Será que sabemos reconhecer o momento exato em que tocamos a linha imaginária do limite e sabemos que ali é o momento exato de parar?

Quando sabemos que bastante é o bastante? E será que devemos partir só quando já alcançamos o bastante?

Se imaginarem que nosso limite é como um balde cheio de água que finalmente transborda indicando que ali não cabe mais nada, deve imaginar que a água é o que? Um monte de lembranças ruins? De tentativas fracassadas ou seu orgulho ferido várias e várias vezes?

Aliás, falando em orgulho, será que ele realmente não importa? Se o seu limite é um balde de água que agora transborda, quanto do seu orgulho está esparramado pelo chão? Quem vai limpar toda essa bagunça?

Podem parecer muitas perguntas, mas num mundo em que de repente tudo virou de ponta cabeça e força-se ao limite simplesmente para não parecer fraca ao desistir é o que se espera das pessoas, eu fico me perguntando quanto do meu orgulho é necessário que eu perca só para provar que eu não sou do tipo que desisti, embora lá no fundo saibamos que quando a outra parte já desistiu de você, não há nada a ser feito, a não ser pegar o pouco do orgulho que lhe resta e seguir em frente.

Aliás, seguir em frente deve ser bem mais difícil quando você precisa recuperar seu orgulho primeiro. Então porque perdê-lo no meio do caminho, certo?

Desistir não é tão difícil assim quando você entende que na verdade, você está dizendo adeus para não desistir de você! Para não desistir de encontrar algo melhor, para não desistir de viver a história que acredita que merece viver e que definitivamente não é essa. Talvez tenha sido um dia, não mais.

Créditos da imagem: We heart it!

Mea culpa!

As mulheres simplesmente ignoram o fato. Não todas, é claro. Estou ciente de que generalizar é um terrível engano, além de impossível. Mas, grande parte das mulheres ignora certos padrões, especialmente os que lhes cercam. Se parar para pensar em todos os seus ex, certamente chegará à conclusão de que eles são muito diferentes. Significando, diferenças físicas e também as de personalidade, mas, por algum motivo obscuro, seus relacionamentos terminam da mesma forma. Ou, pelo menos, a forma como você reage a eles, independente do motivo que ocasionou o fim, é exatamente igual.

Vou falar pela mulher que melhor conheço no mundo: eu. Óbvio. Todos os meus relacionamentos, e olha que me relacionei com homens totalmente diferentes, terminaram exatamente da mesma forma. Geralmente, eles são seguidos da famigerada: “Porra, Jackie!”. Frase atribuída a surpresa do moço (dos, né?) ao perceber que eu tenho uma parte louca/dramática/psicopata dentro de mim. Não posso negar que de mulher dos sonhos, eu passo a louca em apenas dois segundos. E por quê? Mea culpa!

É isso mesmo. Você sabe lá no fundo que a coisa não esta bem faz é tempo. Mas, sabe como é, mulher não dá o braço a torcer. Não acredita que vai acabar e sempre- SEMPRE- acha que deve lutar. Porque, afinal, vai que esse é o cara certo?

No entanto, quando algo esta fadado ao fim, simplesmente esta fadado ao fim. Não adianta lutar. Lá no fundo a gente sabe disso. Mas homem, bicho tinhoso que é, e que tem a mesma consciência que o relacionamento não anda bem das pernas, sempre dá um jeitinho de fazer parecer que a culpa pelo fim, é nossa.

Sim, porque eles ficam estranhos, distantes, mas disfarçam a perda do interesse com falta de tempo. Muito trabalho. Muito estudo. Muito tudo. Menos amor. E, quando a gente surta, eles agem como se não pudessem acreditar que de princesa, você foi a bruxa rapidinho. Nem precisou de encanto. E ai vem a culpa. Porque eles fazem a gente acreditar que se não fosse seu comportamento psicótico, o fim não teria acontecido. Daí você faz mais drama e afasta o moço pra bem longe.

Já viu este filme?

Como eles fazem isso, eu não sei. Tudo que sei é que a culpa que ele joga no meu rabicó, é que me transforma em alguém que até eu mesma desconheço.

E porque será que a gente nunca enxerga que num relacionamento são necessários dois indivíduos e, os dois, portanto, tiveram a mesma responsabilidade pelo fim?

Culpa? No meu rabinho? Não mais.

@jackelineaguiar