Monthly Archives: julho 2011

E a torcida do Corinthians?

Pérola era sem dúvida uma menina de muitos atributos. Eu diria até que se desse um bom tempo a ela, você descobriria que ela é exatamente como as outras meninas que cresceram brincando de boneca e alimentando seus ursos com comidas de faz de conta, enquanto o marido chega em casa em seu lindo cavalo branco, após um longo dia de trabalho. Tenho certeza que assim como eu lá pelos seus 12 anos, ela fez piada do menino que gostava na frente de todo mundo, só para não admitir que suas bochechas coravam cada vez que ele chegava perto dela. Meninos? Blé! Pelo menos, era isso o que dizíamos para todo mundo. Mas, ao contrário da maioria, Pérola pegou gosto pela mentira e aperfeiçoou a técnica como ninguém. Aprendeu mais cedo a lição mais valiosa da vida: você sempre em primeiro lugar! Ela sabia se valorizar. Descobriu logo o que uma bela silhueta, um bumbum empinado e um farto par de seios podem fazer aos homens. E ela fez. Muitas e muitas vezes. E jogou. Tripudiou. Deixou homens centrados a beira de um ataque de nervos, capazes de trocarem tudo por mais uma noite ao seu lado. O problema acontecia quando Pérola atirava no próprio pé e desejava homens por mais de uma noite. Para ela, nada era preciso além da beleza, além do corpo, dos seios fartos, das ancas e do bumbum empinado. Cada vez que eles percebiam que ela nada tinha a oferecer, além disso, eles iam embora. E ela, antes segura, cheia de amor próprio, surtava e se transformava na pior versão de si que poderia existir. Era feio. Mas dava pra entender. Afinal, aposto que você tem uma amiga parecida com a Pérola e sabe bem do que eu estou falando. Uma amiga que é bonita, segura e diz que pode fazer com os homens exatamente o que eles fazem com a maioria das mulheres. Pérola abre a boca para dizer que dá mesmo, a xoxota é dela e ela daria para a torcida do Flamengo, se pudesse. Daria para a do Corinthians, mas sabe como é, ela prefere alguém que possa bancá-la a alguém que pode deixá-la sem nada. O problema é que uma semana após ter caído na farra com os torcedores flamenguistas, ela liga para as amigas desesperada, dizendo que nem um dos rubro-negros entrou em contato. Ela diz que não queria amor, era só uma foda. Mas ela é gostosa e fode bem, então eles deveriam ligar, não deveriam?

Mais uma semana e lá vinha a Pérola, na pior versão de si mesma, procurar resposta para a falta de ligações:

- Porra! Eu sou mô gostosa. Me dei como nunca. Fodi como uma louca e nenhuma ligação? O que há de errado com estes homens afinal?

Aposto que você também tem uma amiga assim. Aposto que entende quando digo que é feio, mas dá dó e desperta certa compaixão. Afinal, pior do que ser um fantoche, sendo jogada em várias ciladas que rendem péssimas histórias sobre mulheres que buscam, acreditam e esperam um grande amor, é usar o sexo como uma forma de fingir que não se importa, mas no fundo, nunca deixou de ser aquela menina que alimenta seus ursos com comida de faz de conta e espera o marido estacionar o cavalo branco na porta de casa.

Ps: Eu sou corinthiana, viu gente? <3

Mas ai, se eu fosse homem…

Pronto, vim aqui hoje apenas para confessar que cometo um terrível pecado. O pecado da inveja. Esse mesmo, o desejo enorme, sufocante e enlouquecedor de possuir a coisa alheia. Nego não. Tenho vergonha não. Desejo, cobiço e quero mesmo o que não é meu. Digo, não tudo, né gente? Somente uma coisa em particular, somente uma coisa é capaz de me tirar o sono tamanho desejo em possuir que sinto: a capacidade masculina de ficar em silêncio.

É serio, por vezes penso que ser homem deve ser uma maravilha. Já invejei meus coleguinhas pela falta do sangue que lhes escorre pelas pernas todo mês, durante 7 fucking dias, com direito a cólica pra avisar que a coisa ta vindo. Já invejei ser homem pra poder comer todas as menininhas, não dar satisfação, agir como bem entender e ainda sim, ouvir meu telefone tocar nos fins de semana.

Já invejei meus irmãos porque eles podem jogar bola sem camisa. Porque mulher é toda séria e eles podem agir feito idiotas quando bem entendem, porque a vida, deve ser bem mais leve da perspectiva masculina, porque mulher é tudo complicada, vê coisa onde não tem e ainda bate o pé cobrando coisa que nunca lhe foi prometida.

Mas depois tudo isso passa. Eu gosto mesmo é de ser mulher. De ser confusa, fazer cena, fazer dengo quanto estou naqueles dias,cobrar presente no dia dos namorados mesmo sem ter comprado um, conseguir fácil o que eu quero só por abrir um sorriso. Usar mini-saia, vestido curto, ser abraçada por um braço forte e um peito largo que quase me engole. Ser engolida. Ser fodida, por trás. Ter orgasmos múltiplos. Sentir prazer com o corpo todo.

Apesar disso, uma coisa ainda invejo, quero e roubaria se pudesse. A capacidade masculina de ficar em silencio. Dias e dias e dias.

Eu não sei lidar com o silêncio. Eu enfio os pés pelas mãos, faço drama, choro, peço desculpas e depois quero enfiar a cabeça num buraco com vergonha da cena que criei.

Por que afinal né? Ele tava jogando bola, assistindo TV com os primos, numa viagem a trabalho, fazendo favores para os pais, numa cabana no meio do deserto. Tava pensando em mim, mas é que né? Nessas horas o celular sempre ta sem bateria. O 3G uma merda. Não tem Wifi. E né? Coitado, ele tentou avisar, mas não deu.  Mas no fim, foi bom que não deu, porque assim ele pode descobrir quão louca eu sou quando me deparo com o silêncio.

E mesmo sabendo que eu poderia ter me controlado, afinal eram só uns diazinhos, às vezes nem isso, invejo a capacidade masculina de me fazer parecer uma louca descontrolada e me fazer cometer o mesmo erro, relação após relação, ano após ano. O truque é tão velho, que chego a ter dó de mim por ainda não saber como agir quando me encontro na situação.

É patético imaginar que enquanto nós consumimos revistas, livros e conselhos de amigas sobre o universo masculino que julgamos tão difícil entender, eles sabem exatamente o que fazer para deixar uma mulher louca, vulnerável, brava a ponto de terminar algo que ela nem começou ou completamente apaixonada: é só ficar em silêncio!

Um dia eu aprendo!

Rehab

Abriu os olhos. 6h00. Piscou. Olhou de novo. 6h00. Tinha mais uma hora. Embora o estômago avisasse que a qualquer momento um trilhão de borboletas rasgariam sua barriga se pudessem. Um trilhão de borboletas pensou. Borboletas. BorboletAS. Borboletas juntas. Repetiu. Um trilhão. Que nome se dá a um conjunto de borboletas? O pensamento a deixou agitada, rolou na cama. Pensou em se levantar e pegar o dicionário, mas de repente “eureka”, decidiu ligar o computar e pesquisar no Google. Simples. Poderia ser dona dos seus pensamentos de novo. Ligar o computador? Não, não não, Sacudiu a cabeça, puxou a coberta e se encolheu na cama. Ligar o computador significava checar os e-mails. Checar os e-mails como uma criança esfomeada que esperava ansiosa que o sinal soasse para que pudesse correr em direção a cantina e se entregar aquele pão com geléia que era servido na escola. Migalhas, pensou. Migalhas e nem isso ela tinha mais. A caixa de entrada gargalhava da facilidade com que as pessoas desistiam dela. Era só virar as costas e puff. Mas você disse que me amava? Disse ué, mas mudei de idéia. Um brinde a Raul Seixas. Um brinde. Brinde. Bebida. Queria afogar sua mágoa, junto com sua cara e todo seu cansaço em vários copos de bebida. Mas ainda era cedo. Tão cedo e ele já lhe ocupará os pensamentos. Levantou. Tomou café da manhã. As borboletas ainda estavam lá. Google. Dois segundos. Dois segundos e mato esta dúvida. Dois segundos e me convenço de que no fim nem era tão importante assim. A caixa vazia. Não. Não. Logo saio de casa. Ônibus. Trânsito. Gente. Trabalho. Almoço. Trabalho. Café no bar da esquina. Trabalho. Ônibus. Trânsito. Casa. Casa? Casa não. Computador não. Precisava ocupar os pensamentos e as mãos. Pensou que os olhos não suportariam a caixa vazia. Certamente as borboletas lhe rasgariam o estômago e voariam livres para habitar o corpo de outra menina apaixonada que precisava daquela sensação mais do que ela. Porque afinal, ela já era passado. Não, não poderia suportar a ausência das borboletas. Casa não. Computador não. Happy hour parecia boa idéia. Chegar em casa bêbada, deitar, dormir. Fim do dia. Lá se foram 24 horas. Sem computador. Sem e-mail. Sem caixa vazia. Abriu a porta, olhou para rua. Você consegue, pensou. Primeiro uma hora. Depois outra. Mas 60 minutos e lá vem outra. Daqui a pouco fim do dia. Fim da semana. Fim do mês. Meses. Respirou fundo. Você consegue. Não abra o e-mail. Não procure. Não implore. Não mendigue. Só mais um dia. Só mais um dia.

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma*

Daí que hoje eu só iria chegar aqui e tacar um texto no formato novo procêis, mas achei que né? Corria o forte risco de perder a credibilidade, afinal, fiz um puta de um texto cheio das churumelas emotivas e explicativas sobre a minha nova fase e consequentemente a nova fase do blog, e volto antes mesmo de completar um mês.

Pois bem, cá estou tentando explicar porque diabos voltei, com o mesmo layout. O motivo principal, a verdadeira verdade por trás de dar um tempo na escrita enquanto o layout novo não fica pronto, é que com o novo formato muita coisa pode ter que ser reajustada, digo, o formato das imagens, por exemplo, com isso, se eu ficar escrevendo, escrevendo, escrevendo, terei mais trabalho ainda pra por tudo no novo formato. Mas, os dias foram passando, passando e uma frase da dona Clarice Lispector não parava de ecoar na minha cabeça:

“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”

É, dias sem postar e eu estava me sentindo assim meio sem, identidade. Difícil explicar, mas é assim.

Trabalho, estudo (sempre), faço mil coisas, sofro por antecipação querendo saber onde diabos vai parar meu “relacionamento”, nem consigo dormir direito. Ainda sim, me senti completamente pelada sem o blog.

E ai conversando com o pessoal, designer, programadores, mô gente talentosa e bacana, fui descobrindo que o layout poderia demorar mais do que eu gostaria e como eu quero que ele fique do jeitinho que eu quero, não vou apressar. Vou fazer devagar, escolhendo cada detalhe. E pra isso, não posso estar afoita com pressa de escrever. Então cá estou, com a roupa velha, mas com textos novos.

Acho que vai ser bom pra mim porque desde que conheci o moço lá, ando sentindo uma pressa louca de viver tudo ao mesmo tempo agora.

Vocês já se deram conta de que não fizeram metade do que gostariam de ter feito e pegaram-se com uma fome louca da vida, sem nem saber por onde começar?

E o que fez com esta pressa? Nada né? Parece que ela só aumenta aquela sensação de estar patinando num monte de lama sem sair do lugar.

Como diria Tati Bernardi: “A pressa passa e o que você fez com pressa fica”. E diz ai se geralmente o que a gente não fez com pressa foi um amontoado de merda?

*Frase atribuída a Adriana Falcão, lá no Pensador Uol, mas nunca se sabe.

Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre*

Então eu tinha um namorado. Eu tinha um namorado que gostava muito de mim. Eu sabia disso. Eu sabia que ele me amava com toda a força que ele podia. Mas era tanto amor que ele sentia medo. E eu sabia disso também. E era tanto medo que ele não sabia como lidar com a situação. Me machucar, me empurrar para longe e ver de que forma eu voltaria, foi o jeito que ele encontrou para provar a ele mesmo que eu não era uma criatura divina, como o amor que ele sentia por mim o fazia pensar. Ele dormia de olho aberto. Ele desconfiava de mim quando estava longe. Ele desconfiava de mim quando estava perto. Eu entendia. Mas entender e se sujeitar a todo este sofrimento são coisas completamente diferentes. Quando eu disse “adeus”, ele disse “eu sabia”. E assim, de uma forma misteriosamente insana, eu acabei sendo a bruxa que deu descarga no maior amor que alguém poderia ter recebido. Depois de muito sofrimento, porque eu o amava, oh Deus como eu o amava, eu superei e segui em frente. Mas foram precisos exatos 3 anos. 3 anos da minha vida presa a um sentimento que, como disse Renato Russo, era quase escravidão. Mas de repente eu tinha minha carta de alforria na mão e os dias voltaram a fazer sentido.

Eis que no começo deste ano o reencontro. E, ao contrário do que eu mesma achei que poderia dizer, quando ele se desculpou por tudo o que me fez passar e me perguntou se eu o odiava, as palavras que saíram da minha boca me surpreenderam de forma que eu nem sei explicar. Nem pestanejei, eu juro, foi de bate pronto, eu disse: “Não, eu não te odeio. Eu acho que sinto pena. Eu acreditei, eu amei e confiei. Acho que ninguém perde por acreditar. Não faz nenhum mal confiar. Eu sinto pena de quem não acredita”.

E sinto mesmo. Sinto pena de gente cínica que vive uma vida meia boca e sai por ai arrotando sabedoria. Sinto pena de gente que ri de quem acredita, mas que se conforma a uma vida em que tudo que faz é suspirar e desejar que as coisas fossem diferente. Gente que aceita um salário meio boca, em um emprego meia boca e passa a vida falando mal do chefe no elevador. Gente que vive em um relacionamento em que tem que pisar em ovos porque morre de medo de dizer a coisa errada e perder a outra pessoa.  Gente que tem que sair de casa sábado a noite, mesmo que seja para estar em uma balada horrível apenas porque não agüentar ficar um dia em casa com os próprios pensamentos. Eu morro de pena principalmente de gente que te olha de cima porque acha que vive uma vida perfeita e que só existe um jeito certo de fazer as coisas.

E não existe. Não existe porque a vida é um tiro no escuro. Você aposta, faz o melhor que pode e torce para dar certo. É claro que você vai trabalhar, fazer planos, lutar. Mas bem sabemos que quando tudo pode dar errado, simplesmente dá. Por isso de nada adianta sua cara carrancuda, se você não acreditar.

Eu acredito, sempre acreditei e do meu jeito meio inocente, meio torto, meio confuso, meio medroso, eu só faço aquilo que acredito, porque ainda que de errado, a satisfação de ter acreditado em mim, não tem preço.

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