Vou contar outro causo procês. Fiquei saindo com uma determinada pessoa por aproximadamente oito meses, o papo era bom, ele era bom e nós éramos bons juntos. Sempre tínhamos muito que falar, o beijo era perfeito e durante esse tempo não rolou sexo. Até que eu decidi que esse tempo (oito meses) já era tempo o bastante e decidimos partir para as vias de fato. Não rolou, na verdade a tal noite foi no mínimo constrangedora. O que resultou num sumiço, por parte dele, de aproximadamente três meses. Depois, fazendo à compreensiva, voltamos a nos ver, e começamos tudo de novo. E apesar dos nossos esforços, o não sexo era o elefante branco na sala, no carro, em todos os locais. Acabou que acabou tudo.
Daí, fico me perguntando, qual o peso do sexo em uma relação? Será que muito dele ou a falta dele pode prejudicar um casal a ponto de por fim em tudo?
A Carla Zeglio, consultora sentimental da Marie Claire, respondeu assim:
Não creio que a falta de sintonia na cama seja motivo de desistir de tudo, ainda mais se a história reúne vários elementos fundamentais em uma relação como o companheirismo, carinho, amor (que não necessariamente inclui tesão), cuidado, o gostar de conversar com o outro e tudo o que o casal já construiu. O que você não pode fazer é deixar de comunicar essa insatisfação a ele, pois essa atitude dá brecha para que um afastamento ainda maior aconteça e também para a chegada de novos parceiros sexuais. Você diz que não há química no sexo, mas ninguém fica 20 anos com alguém se não houver um enorme cuidado com o outro. E é aí que mora o perigo: se gostamos do outro, uma situação de deslealdade ou de traição descoberta poderá fazê-lo sofrer. Será que é o que queremos para o nosso companheiro de 20 anos de vida? Que tal uma conversa franca sobre suas necessidades? Se depois disso as coisas realmente não ficarem boas para o casal é hora de procurar alternativas, como uma possível separação, mas aí sem tantas mágoas, brigas ou desentendimentos. Uma boa saída pode ser tentar fazer terapia de casal para estimular a conversa entre vocês. Contudo, é importante lembrar que as dificuldades em uma relação só podem desaparecer quando os dois querem. O que será que seu marido pensa sobre isso? Ele vê da mesma maneira? Percebe sua insatisfação? Parecem perguntas estúpidas, mas a maior parte de nós nunca fala exatamente ao parceiro o que realmente precisa. A idealização da vida conjugal e sexual não nos prepara para lidar com os desapontamentos, frustrações e atritos. Calamos-nos diante das necessidades e sucumbimos a um enorme silêncio, culminando na solidão a dois. Cuide de revisitar a sua relação.
Um filme legal para assistir é “Jantar com Amigos”, baseado na peça do dramaturgo norte-americano Donald Margulies. A história explora a dificuldade de compreender quem deve ou não se separar e as ideias preconcebidas de cada um de nós a respeito da separação e até de nós mesmos.













