Pelo direito de não gostar da coisa…

Eu tinha uma amiga – e digo tinha porque ela faleceu- que era lésbica e dizia que assim o era porque o sexo com homens era simplesmente tedioso. Durante nossas conversas ela descrevia relações em que esteve a ponto de bocejar ou começar a fazer as unhas. Exageros a parte, obviamente ela estava sendo irônica, ainda sim afirmava que embora fosse possível manter um diálogo e tentar dizer ao homem o que gostava ou não, ele tem certa tendência a pensar com a cabeça de baixo e por isso não controla seu impulso a só pensar em si mesmo. Então ela desistiu oficialmente dos homens.

Mais tarde conheci duas irmãs que não gostavam de sexo e elas diziam isso com naturalidade, assim como quem diz “Eu não como jiló”, ocorre que da mesma forma que as pessoas reagem quando confesso ter pavor a gelatina, eu reagi quando as ouvi dizendo que o sexo não passava de obrigação. Daí muitos podem dizer que elas não encontraram um cara com pegada, que fizesse o serviço completo e bem feito, diga-se de passagem. É, pode ser. Mas elas defendem o direito de não gostar de sexo, assim como eu não gosto de gelatina e milhares de pessoas não gostam de jiló.

Para minha surpresa, elas não estão sozinhas.

Na edição 249 de janeiro/10 a revista Criativa (Editora Globo) abordou o assunto através da matéria “Movimento dos sem sexo” escrita por Willian Vieira com colaboração de Janaina Pelegrini, e ao contrário do que pode pensar, o movimento não começou na Inglaterra, mas sim nos Estados Unidos, e o número de pessoas que aderem a campanha só aumenta, eles inclusive aproveitaram a última parada do orgulho gay, que lá acontece em São Francisco, para reunir adeptos do movimento e fazer com que um número maior de pessoas tomasse conhecimento da causa.

A maior e mais famosa ONG sobre o assunto se chama Aven (Asexual Visibility and Education Network) e foi fundada por David Jay, que tem hoje 27 anos e começou a pesquisar sobre o assunto aos 14. Como só encontrava pesquisas feitas com amebas, ele criou um site para falar sobre o assunto, o www.asexuality.org e com o passar do tempo outras pessoas foram aparecendo, hoje o grupo tem 30 mil membros, entre homens e mulheres.

O assunto ainda é tema de várias pesquisas e existem enormes discussões sem que haja nenhuma conclusão. O termo “assexualidade” apareceu nos anos 70 e só passou a ser considerado como opção sexual nos anos 80, embora há os que contestam, isso quer dizer que você pode ser heterossexual, homossexual, bissexual e assexual, ou seja, você não se sente atraído nem por homens, nem por mulheres. Mas para os membros da Aven, assexual ainda não é o termo correto. De acordo com David, eles sentem impulsos sexuais e até mesmo desejo, ainda sim defendem o direito de não gostar de sexo e de acreditar em uma relação em que o sexo não seja prioridade.

O tema ainda gera muitas discussões, ainda é motivo de estudo e não há nada conclusivo.

Resumindo, eu li a matéria dezenas de vezes e não entendi bem o movimento. Assim como não entendia minhas amigas que estavam em relações aparentemente perfeitas, com namorados lindos, mas não gostavam de fazer sexo. Sempre achei que o sexo estava implícito num relacionamento a dois. Aliás, é possível uma relação em que o sexo não exista?

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3 Comentários

  • 8 de março de 2010 - 10:33 | Permalink

    Aliás, não conheço um relacionamento sem sexo!! Um complementa o outro! entende? É como viver sem respirar! Pelo menos pra mim!

  • Luana
    11 de março de 2010 - 5:22 | Permalink

    Acho que sem sexo não tem como mas adorei a parte em que vc sobre ele não ser a coisa mais importante… Já vi váriossssssss relacionamentos em que o sexo parecia a coisa mais importante… Inclusive jah estive em um e era horrível pq eu adoro mas daí a esquecer tudo soh para fazer não consigo… Chegou ao cúmulo de estarmos discutindo msm e, sem chegarmos a lugar algum, no meio da briga a pessoa parar tudo, começar a chegar e querer fazer sexo… nossa eu odiava!!! Talvez essa parte sirva pra várias pessoas entenderem que há coisas mto mais importantes em um relacionamento do q os momentos q vcs passam ‘ocupando o mesmo pequeno espaço’… hehehe

  • Buzz
    13 de março de 2010 - 17:23 | Permalink

    o planeta tem 6.6 bilhões de pessoas. E, dentre elas, certamente há quem não goste de sexo. Mas… como elas não gostam de sexo, elas também não deixam descendentes. Que legal. Quem não gosta de sexo é uma subespécie natimorta. ahahahaha…

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