Doces ou TravessurasOu os dois…

2 Então ele se foi…

Jackeline Aguiar em Bate-Papo — Tags: , , , , ,  

Enquanto minha mãe tagarela sobre as facetas do mundo da radiologia, não paro de pensar na maneira como este domingo passou por mim.

Era pra ser um domingo qualquer de sol e calor, seguido de nostalgia e tristeza lá pelas vinte e tantas, mas não foi bem assim que aconteceu.

Hoje eu perdi alguém, perdi um amigo que há muito tempo não via. Crescemos juntos, dividimos sonhos, sorrisos e lágrimas. Com a adolescência as coisas mudaram e tudo ficou mais complicado quando ele decidiu que o pai ausente, deveria perceber o filho maravilhoso que tinha e não vira crescer. Meu amigo começou a projetar sua felicidade no dia em que seu pai finalmente percebesse que ele existia, reconhecesse seus erros e o amasse como os pais devem amar os filhos. Mas não é exatamente assim que as coisas acontecem. A vida tem sua própria definição do que é viver, e vez ou outra nos esquecemos disso.

Distanciamo-nos e nunca mais o vi. Sempre imaginava que um dia nos encontraríamos de novo e falaríamos durante horas sobre tudo que tem acontecido em nossas vidas. Hoje, depois de um telefonema, eu descobri que isso nunca vai acontecer.

Há aqueles que defendem que a palavra “nunca” não deve ser utilizada, mas a verdade é que só em casos como este, a gente se lembra que o nunca é bem provável. Aliás, é só em casos como este que a gente pára e pensa na vida. O que eu estou fazendo? O que você está fazendo? Será que eu sou feliz? E se eu morrer amanhã valeu à pena?

Estes questionamentos eu costumava fazer quando tinha quatorze anos e alguma disposição para esquecer dramas rapidamente, depois de adulta as obrigações e bem, a vida, não lhe dá muitas opções e a gente simplesmente vive. Não é triste?

Depois de pensar muito cheguei a uma conclusão que, assim como meu amigo, muitas pessoas atribuem sua felicidade a outras pessoas. Sejam aquelas que esperam um relacionamento ou o reconhecimento de alguém, amor, família, chefe, amigo, enfim. Depositar tanta expectativa sobre os ombros de alguém é um indicio forte de uma vida fracassada baseada numa felicidade utópica.  Apesar disso cometemos o mesmo erro todos os dias, esperamos ser amados, esperamos ser reconhecimentos, uns com mais, outros com menos intensidade, mesmo sabendo que isto pode nos custar não viver a vida.  Eu nem sei se estas palavras fazem algum sentido, textos passionais não costumam ser os melhores, logo, os de despedida devem ser piores ainda. Só posso finalizar com as palavras que eu costumava dizer enquanto ele ainda ia ao meu quarto todos os dias à tarde após a escola:

- Apenas viva a sua vida e seja feliz. Se alguém tiver que amá-lo, é exatamente isso que irá acontecer, esta é a razão do amor incondicional. Amar alguém sem motivo algum e com tanta intensidade que qualquer defeito é pequeno diante a possibilidade do seu sorriso. Da mesma forma, ame sem esperar nada em troca, eu sei que é um exercício e tanto, mas no fim das contas é mais fácil do que parece e sempre vale a pena.

Related Posts with Thumbnails

2 Comentários »

  1. Luana Pagung disse:

    Sinto muito pela sua perda :/
    É preciso mesmo viver o dia e só.
    E nos esforçar para cultivar o amor incondicional tão desejado e pouco existente.

    =*

  2. Anjo_Z disse:

    Concordo com a Luana :)

    Temos o hoje, o agora, para sermos felizes. O futuro é uma incognita e o passado, bem, passou :)

    Plante as suas sementes pro futuro, mas não fique o dia inteiro olhando o jardim, vá conversar com o vizinho :)

    Abraços,
    Anjo_Z

Feed RSS dos comentários deste post URL de TrackBack

Deixe um comentário