Quatro amigas, o convite e a espera …

Antes de começar, é necessário lhe advertir, este post tem cunho pessoal e se quiser, pode passar para o próximo, caso contrário, esteja livre para continuar, mas lembre-se, eu avisei.

Eu poderia até fingir que não me incomoda, mas lá no fundo, bem lá no fundo, ok nem tão fundo assim, eu sempre fico bem incomodada. Talvez porque as pessoas não entendam, talvez porque estejam certas e essa inquietação não tem nada de fundo, aliás, ela é bem rasa.

Tenho quatro amigas. Quatro amigas que conheci em anos diferentes há muito tempo atrás, desde então, ainda somos amigas. Cada uma com sua personalidade, anseios e belezas diferentes. Por vezes, desejamos o mundo, e em alguns momentos estivemos certas de que fatalmente ele seria nosso. Por isso confesso que me senti traída quando o amor pegou uma de cada vez.

Em algum momento, eu simplesmente decidi que o amor não era pra mim. Fechei os olhos e segui. Quando essa inquietação sem razão começa a me apertar, lhe comparo a uma leve indisposição e me recuso a pensar. Mas então, existem dias assim, dias como os de hoje.

Todos os anos, em todos os aniversários, eu e minhas amigas apaixonadas, nos encontramos nos quatro dias em que em ficamos mais velhas. Não importa o que aconteça, ou quão corrida esteja a vida. É aniversário de alguém, e nós estamos lá. Não precisamos pensar ou nos programar. É quase um ritual, faz parte das nossas vidas. Há exatos oitos anos, desde que não estudamos mais, nos encontramos assim que o calendário indica a aproximação dos dias primeiro e vinte de março, vinte e sete de julho e dezenove de agosto.

Eu poderia facilmente me sentir em um dos episódios de sex and the city, aliás, já foi assim um dia, mas tudo muda quando o amor chega.

Hoje, exatamente hoje, quero dizer neste dia, daqui a pouco, além de dar os parabéns, irei receber um convite de casamento. Outro. Outra festa em que serei a amiga legal e sozinha. Aquela a quem todos dizem : ” Não se preocupa, logo você casa também!”. Sei que será em vão olhar para os lados, já que no fim da festa, nenhum amigo gay, como o George, virá me salvar. É, nem isto eu tenho mais. Meu último amigo gay, resolveu se mudar de mala e cuia pra São Paulo. ( Tá me devendo essa, Danilo!).

O-Casamento-do-Meu-Melhor-Amigo-5

Mas tudo bem porque na verdade, eu não me importo. Não é estar sozinha que me preocupa. O que me deixa “meio assim” é saber que as pessoas torcem para que eu pegue o buquê, é sentir as mãos das senhoras simpáticas nas minhas costas, me empurrando em direção as escadas, porque a noiva, vai jogar algumas flores, que juntas, simbolizam o fim de uma década de solteirice. “Boa Sorte!”, alguém sussurra no meu ouvido.

Pois é, mas eu passo.

Alguns episódios nesta entediante e ainda corrente vida, me fizeram crer, que nada pode ser considerado tudo.  E, embora pareça maravilhoso, se você tiver apenas isso, vai acabar percebendo que não tem nada. Apostar todas as suas fichas em um único lance, fatalmente lhe renderá um jogo ruim e é mais provável que perca.

Claro que eu sou péssima em verdades absolutas, até porque, não creio que elas realmente existam. Cada um tem a sua, e tentar impor ao resto do mundo alguns de seus pensamentos, pode ser completamente inútil. Mas defendo que para tudo há um tempo.

Poxa, legal, bacana se você tem alguém pra chamar de seu.

Mas não troco nenhuma das minhas experiências.

Eu já gostei de um cara que eu não conhecia. Sofri dias desejando alguém que nem sabia que eu existia, e a emoção de conseguir beija-lo algum tempo mais tarde, foi por água abaixo quando percebi que ele era mais legal justamente porque eu não o conhecia.

Já fui embora de ônibus depois de dançar horas de salto, numa festa onde sentar alguns minutinhos está fora de cogitação. Já me apaixonei na balada e disse adeus as seis horas da manhã. Já fui surpreendida por telefonemas de madrugada e visitas após o serviço. Ganhei flores e bombons. Ouvi declarações emocionadas e despedidas difíceis. Eu já sumi. Chorei por não saber o que dizer. E disse porque não podia mais chorar.

Amei desesperadamente, briguei com meus pais, com meus irmãos, com a vida. Eu traí, eu fui traída. Larguei e fui largada.

mala

Houve uma época em que olhar para trás, significava me lembrar de todos os meus casos fracassados. Engraçado porque hoje eu agradeço por estar sozinha.  Talvez o amor tivesse trazido paz a esse desassossego que me faz desejar chegar tão longe, e neste momento, eu preciso dele. Preciso me sentir insatisfeita, pois assim sou obrigada a andar.

Por isso obrigada, mas eu passo. Deixarei o buquê praquela que acredita nele.

Hoje após ouvir horas de conversas sobre os preparativos do casamento e as belezas da vida de casada contada por aquela que casou-se a pouco, serei a amiga solteira que as fará rir com histórias acerca do novo método masculino de dizer “eu não te quero mais”, logo após de ter lhes contato sobre as confusões em que uma pessoa que quer fazer tudo ao mesmo tempo, consegue se meter. Certamente elas ficarão fascinadas enquanto eu explico como é que se faz dinheiro com um blog e de que forma se faz amigos com o Twiiter. Elas vão rir enquanto perguntam onde comprei os meus sapatos e deixaremos o amor do lado de fora.

“Foi muito bom te ver!”… Elas seguem acompanhadas pelo amor, enquanto eu, tento não me distrair o suficiente para evitar cruzar com ele ao dobrar a esquina.

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12 Comentários

  • Renato
    1 de agosto de 2009 - 13:00 | Permalink

    Experiências boas e ruins, enfim, temos q passar por todas elas. Eu me reservo muito e praticamente minhas experiências em relacionamentos são bem poucas, nunca namorei, provavelmente pela minha condição sexual. Ainda bem q ninguém aqui em casa me cobra casamento, afinal eu só casaria com alguém se realmente eu gostasse e não casar por casar, ah nem posso, aqui nem direitos civis com o parceiro posso ter, espero que seja aprovada logo tal lei. Mas tem vezes q me dá vontade de esquecer tudo e não querer me apaixonar por ninguém. Já gosto de alguém, mas no momento não podemos ter algo juntos e isso acaba me chateando muito e acabo falando besteiras. No fim fica aquilo de um lado o apaixonado e do outro aquele q evita gostar para não sofrer, mas sabe, ambos estão certos né, quando se gosta de alguém tem q lutar, demonstrar se não perde a vez e outro está certo em não querer se magoar e não magoar o próximo, só q o engraçado q ambos tb se chateam, vai entender?
    Bjs e Abraços a todos.

  • 4 de agosto de 2009 - 23:03 | Permalink

    amor não se procura…e eu ia continuar a frase mas é só :P

  • 5 de agosto de 2009 - 9:10 | Permalink

    doi demais perceber que nossas amizades nao sao eternas.
    seu post falou quase tudo que eu pensava rs!

    visita meu blog!

  • Erika
    5 de agosto de 2009 - 9:35 | Permalink

    Texto bem interessante!
    Dê graças a Deus por essas amizades, msm não sendo tão presente como antes…pq eh algo q eu gostaria d+ de ter…

  • Ninaaah
    5 de agosto de 2009 - 14:32 | Permalink

    ahazou demais *-*

  • 5 de agosto de 2009 - 16:48 | Permalink

    Meninassss
    caracas valeu pelos comentários, espero que voltem sempreeeee :-)

    Taís,
    Essa frase já diz tudooo rsrsrs

    Toia,
    Dói viu, mas se a gente se esforça, até duraaaa
    Pode deixar que passo láaa….

    Erika,
    è me sinto muuuito abençoada por tê-las ainda na minha vida, coisa tão rara hoje em dia….

    Ninaaah,
    :-)
    Valeu….

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  • PH
    18 de agosto de 2009 - 10:58 | Permalink

    Quando a gente está assim, sem procurar, é que “ele” acaba aparecendo…

  • Carlinha!!!!!!!!!!
    20 de agosto de 2009 - 17:51 | Permalink

    Hummmm Acho que conheço bem esta história né!! rsrsrrss

    Mas sabe… não concordo com tudo isso aí não viu, mas… cada um tem seu ponto de vista né!!

    No problem!

    Seu blog tá ótimo!!!!!!!!!

  • Cintia
    30 de agosto de 2009 - 0:10 | Permalink

    Adorei o texto…
    Descobri o blog agora, acho que como se descobre todos os outros, zapeando por aí. E vc conseguiu dizer tudo que uma (como as pessoas costumam dizer) “solteira convicta” pensa.
    Quando o amor entra, o egoísmo sai… E não tô falando no sentido negativo, mas por vezes é tão bom (e importante) sermos egoístas, né?! Pensarmos apenas em nós mesmas… Desde escolher qual balada curtir (sem ter que se preocupar se ela é “adequada” para casais, se vai rolar ciúme, stress… ou se a cara-metade ficou justamente com a outra metade que odeia aquilo que vc ama), até mesmo poder aceitar aquela promoção no trabalho, que te exige mudar pra outra cidade…
    Claro que isso tudo muda quando a gente se envolve de verdade, e que nem ligamos pra essas coisas quando o amor chega pq ele tem o dom de nos ludibriar e felicitar também.
    Mas no momento, também estou passando o buquê pra quem deseja se ludibriar de amor, ou pra quem acha que já está “cruzando o cabo da boa esperança”… Eu, como vc, estou concentrada nas confusões de mais uma pessoa que quer fazer tudo ao mesmo tempo, sem tempo pra fantasiar que um monte de flores amarradas caindo das mãos de uma amiga possa me trazer mais felicidade do que eu já tenho…
    É isso aí. Comentário enorme… Desculpa, mas é q vc mandou mt bem msm. Parabéns! Sua página acaba de entrar na minha pasta “FAVORITOS”… RS
    Sucesso!

  • 30 de agosto de 2009 - 0:28 | Permalink

    Cintia,
    Eu acabei de chegar em casa, meio com wisky na cabeça rsrsrs, e só dei uma passadinha porque inclusive, esqueci o pc ligado…
    Já estava de saida quando atualizei a página e vi seu comentário…Não se desculpe rs, não sabe o quanto é importante e o quanto significa…É muito mesmo. Obrigadaa, fiquei sem palavras.
    Espero que realmente continue por aqui…:-)
    Durante muito, muito tempo eu quis viver o amor mais que tudo nessa vida. Meus pais brigavam muito e desde pequena cresci com a idéia de que um príncipe viria me resgatar de toda aquela confusão e me dar todo o amor que minha mãe sempre jurou que não existia… Mas este príncipe nunca chegou. Passei boa parte do tempo frustrada, até que um dia liguei a tecla do “Foda-se” e de verdade, estou feliz assim. Claro que não posso ser mentirosa a ponto de dizer que não desejo alguém do meu lado, mas hoje sei que isso simplesmente acontece. Hoje eu tenho o blog, a faculdade, o trabalho, os amigos e tudo o que sei, é que cada uma dessas coisas me faz muito feliz e tenho consciência de que nenhuma delas, sozinha, é responsável pela minha felicidade, portanto quero ter alguém do meu lado e segurar o buquê, quando realmente estiver pronta para amar, sem tornar isso a razão da minha existência…
    Mais uma vez obrigada…
    :-)

  • Cintia
    30 de agosto de 2009 - 22:55 | Permalink

    É isso aí… E me deixou morrendo de inveja por estar “meio com whiskey na cabeça”… rs
    Estou embarcada e aqui alcool só em gel… rs
    Sucesso aí e nos falamos nos próximos posts.
    Bjuxxxx

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