Dia desses lendo uma destas revistas que eu adoro, dei de cara com a seguinte matéria “Traição: Perdoar ou não. Contar ou não”.
Engraçado porque eu já passei por isso. Traída primeiro e depois traindo. O interessante é que mesmo tendo vivido as duas situações não consegui encontrar motivos para tal, contudo posso afirmar com categoria que me senti mil vezes pior traindo, do que sendo traída.
Quando conheci meu ex-namorado, ele tinha uma ex-namorada totalmente louca, do tipo faço-tudo-para-ter-você-de-volta e eu apesar de demonstrar muita segurança, me segurava para não dar uma de ciumenta e protagonizar altas cenas de barraco. Ia consideravelmente bem, até que certa vez numa balada brigamos feio e ele ficou com ela, ali mesmo na minha frente, demonstrando total desvio de caráter e nenhuma sensibilidade. Arrasada fui para casa, poderia ter dado o troco na mesma noite, mas não fiz. Após várias ligações, visitas no trabalho, recados no orkut, e-mails e sms, decidi perdoar. Perdoei de verdade, quer dizer, pelo menos achei que tinha. Nunca mais toquei no assunto, me entreguei e mesmo quando a gente brigava me esforçava ao máximo para não jogar na cara dele a traição. Mas um belo dia, ou melhor, uma bela noite, ele não me ligou, quando disse que ligaria. Simplesmente desapareceu. E ai? Ai me senti no direito de fazer o mesmo, na verdade não sei bem o que passou pela minha cabeça, sei apenas que me sentia no direito, então fui lá e fiquei com outra pessoa. Simples assim.
Decidi não contar. Mas me sentia péssima. Comecei a me sentir baixa, porque então percebi que por mais que tentasse, não havia desculpas. Ok, ele me traiu uma vez, mas eu perdoei certo? Deveria ter terminado e não ter aguardado o melhor momento para fazer o mesmo. Até porque quando ele descobriu, utilizou os mesmos argumentos. A gente voltou, mas nada foi igual. Terminamos logo depois. Sei que não valeu a pena.
Uma pesquisa feita com 1.279 entrevistados de ambos os sexos, pela antropóloga Mirian Goldenberg, autora de Infiel – Notas de uma Antropóloga, comprovou que pelo menos metade das pessoas já traiu um parceiro amoroso¹.
Ainda como dados da mesma pesquisa, na maioria dos casos, quem traiu não contou, porque desejavam continuar na relação. Ou seja, aparentemente o problema não está na relação, afinal os entrevistados ainda prezam por ela.
Tenho uma amiga que recentemente traiu o marido e tentava culpá-lo de todas as formas. Alegava que durante a relação ele não se esforçou o bastante, deixou a desejar e ela já não o amava há muito tempo. Para mim, tudo isso é motivo para o término de uma relação, não para o começo de algo extraconjugal.
Não vejo motivos para a traição. Se o fizer, admita que é porque é “levemente canalha”, pois qualquer outra desculpa, será somente qualquer outra desculpa.
Na pior da hipóteses, termine na sexta, traia e volte no domingo. =P
¹ ” é coisa da sua cabeça…” – Matéria publicada na revista GLOSS edição maio/2009.



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7 Comments
Boaaa Jack…^^ kkkk traição é um papo delicado ! mas é pura canalice mesmo…dpois vem o arrependimento!
Olha, eu axo q essa historia de traição é relativa… rsrsrs
mais fala serio… ninguem merece ser traido né…
=)
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Você então se considera “levemente canalha”?
Rafaelaaa eita rs
eu não.. acho que fui somente neste situação. Vivia um relacionamento confuso, inseguro, comecei a agir feito uma doida…
Mas já voltei ao normal rs…
Esse post ta complicadissimo! Olha pessoal, eu nunca traí nenhuma namorada. Creio que seja por ter visto isso dentro da minha própria casa, vendo o meu pai traindo a minha mãe e os reflexos de tudo isso, aparecendo até hoje. As pessoas traem por diferentes motivos e razões, mas eu concordo com a autora do post ” tudo isso é motivo para o término de uma relação, não para o começo de algo extraconjugal.” Não quer mais?! Termine antes de fazer uma bobagem dessa, manda a real pro teu parceiro(a): Gosto de outra pessoa, estou atraído por ela(e)… Honestidade acima de tudo, pra ti e pro conjugê…
Já parou pra pensar, só por um instante, que talvez seja a cultura e o termo “traição” que esteja errado? “Trair” no sentido de estar com uma terceira pessoa durante um relacionamento é algo ruim na nossa cultura, porém, como a pesquisa diz, metade das pessoas o faz. Mesmo você. Fato é que o ser humano deseja pessoas, o amor não é uni-direcional, na verdade ele não tá nem aí pra nossa cultura e a “culpa” que você sentiu é cultural também. Enfim, pense nisso.
Amplexos